Um grupo de aventureiros conhecido como o Esquadrão do Inferno entrou em contato com o arauto de um povo estrangeiro — e, sem perceber, libertou sobre Arton a maior de todas as ameaças. É assim, com a simplicidade de uma tragédia cotidiana transformada em cataclismo, que o Livro Básico introduz a origem de A Tormenta: o evento que dá nome ao próprio jogo, e que ainda hoje define o tom sombrio por trás de toda a fantasia colorida de Arton. Como o Caio Bonfalari já resumiu aqui no Rotina de Mestre, essa é a ameaça cósmica que une heróis rivais contra um mal comum.
O Ataque a Tamu-ra: Onde Tudo Começou
| Elemento | O que é |
|---|---|
| Lefeu | Demônios da Tormenta, originados de um povo criado por três deuses artonianos |
| Lefou | Meios-demônios que nascem da corrupção avançando sobre Arton |
| Aharadak | Deus da Tormenta, reconhecido à força no Panteão de Arton |
| Lorde | Lefeu de poder imenso que governa uma área de Tormenta |
| Coração | Objeto ou lugar de onde brota a Anticriação daquela área |
A Tormenta chegou como uma chuva de sangue ácido e demônios sobre Tamu-ra, destruindo uma civilização milenar quase instantaneamente. Os invasores responsáveis são chamados lefeu, ou demônios da Tormenta — criaturas tão bizarras e macabras que a mente racional só consegue processá-las como insetos monstruosos, o limite daquilo que a imaginação humana é capaz de reconhecer. Depois do ataque inicial, novas áreas de Tormenta começaram a surgir em outros pontos de Arton: lugares de profanação e pesadelo onde o próprio mundo é devorado e substituído por algo que o livro chama de Anticriação.
O Que Acontece Dentro de uma Área de Tormenta
Uma área de Tormenta é hostil à vida natural — apenas aventureiros muito bem preparados conseguem sequer pisar nesses territórios sem serem consumidos. Mas a corrupção não fica contida: a Tormenta avança sobre o resto de Arton de várias formas, sua loucura tocando povos inteiros e transformando pessoas comuns em maníacos depravados. Cada vez nascem mais lefou, descritos como meios-demônios da Tormenta, que rondam o Reinado espreitando povoados e infestando masmorras. A corrupção chegou tão longe que o próprio Panteão divino de Arton perdeu parte de sua pureza, sendo forçado a acolher Aharadak, o infecto Deus da Tormenta, entre os vinte deuses do cenário.
A Origem dos Lefeu: Um Erro dos Próprios Deuses
A parte mais perturbadora da lore, talvez, seja a origem dos lefeu — eles não vieram de fora da criação divina, mas de dentro dela. Em tempos remotos, três deuses artonianos se uniram num cosmos totalmente separado de Arton para criar um povo perfeito. Essa nova raça, batizada de lefeu, explodiu rapidamente em criatividade, ambição e sede de poder, até que sua obsessão por autoaperfeiçoamento se transformasse em crueldade sem limites, conquista total, destruição pura. Os demais deuses os descobriram e tentaram dizimá-los — mas o desejo dos lefeu de viver e evoluir era sem igual. Eles renasceram, cresceram, ficaram ainda mais poderosos, e acabaram por tragar seu próprio mundo nativo e sua própria cosmologia original, varrendo de seu universo tudo que não fosse eles mesmos. Transcenderam vida e morte, apagaram o próprio tempo, e se tornaram, segundo o livro, “um multiverso consciente”.
Tendo vencido todos os desafios dentro de sua própria Anticriação, os lefeu buscaram novas conquistas em outros universos — e assim descobriram Arton, iniciando a campanha de dominação que se tornaria A Tormenta.
Por Que a “Chuva de Sangue” Nunca Cessa
O sangue vermelho que cai sobre as áreas de Tormenta não é sangue de verdade: é matéria vermelha, a substância corruptora que compõe o próprio corpo dos lefeu. Isso explica por que, segundo o livro, uma vez que uma área de Tormenta se instala em Arton, “não há volta”: para os lefeu, escravizar ou matar não é suficiente. Eles precisam transformar Arton em seu próprio mundo, destruindo tudo que não seja igual a eles, distorcendo o universo inteiro até que se pareça com o inferno de onde vieram. Construções viram paródias cruéis de si mesmas, horrores insetoides emergem de becos que antes eram comuns, a natureza deixa de ser verde e se torna vermelha, afiada, enlouquecedora — até a própria terra se transformar em matéria vermelha.
A Única Esperança: Lorde e Coração
Existe apenas um caminho conhecido para reverter uma área de Tormenta. Cada uma delas é governada por um Lorde, um lefeu de poder quase inimaginável, e sustentada por um Coração — um lugar ou objeto específico de onde brota toda a Anticriação daquela região. Se o Lorde for morto e o Coração for destruído antes que um novo Lorde assuma o controle, a área pode, teoricamente, ser revertida ao mundo normal.
O peso dramático dessa regra está no histórico: até hoje, isso só aconteceu uma única vez, num combate épico que exigiu heróis lendários lutando ao lado dos próprios deuses — e mesmo essa vitória duramente conquistada recuperou apenas um dos territórios perdidos. Não existe, segundo os maiores sábios do cenário, nenhuma perspectiva realista de contra-atacar os lefeu em seu próprio território ou reverter o avanço deles de forma definitiva. A frase que fecha essa seção do livro resume o tom sombrio de toda a ameaça: “No final, tudo será lefeu.”
O Que Isso Significa para Sua Campanha
A Tormenta funciona simultaneamente como pano de fundo cósmico e como gerador infinito de aventuras concretas: cada área de Tormenta é, mecanicamente, uma masmorra ou região hostil com um Lorde-chefe e um Coração-objetivo, uma estrutura de missão que qualquer mestre pode adaptar para campanhas de qualquer escala. E para jogadores de classes divinas — como o Clérigo, que já cobrimos em nosso guia completo do Clérigo em Tormenta 20 —, a existência de Aharadak como deus reconhecido dentro do próprio Panteão levanta questões dramáticas reais sobre fé, pureza e o que significa servir a um panteão que já foi corrompido por dentro.
Perguntas Frequentes sobre A Tormenta
O que são os lefeu em Tormenta 20?
São os demônios responsáveis pela Tormenta, originados de uma raça criada por três deuses artonianos que se tornou corrompida por ambição e crueldade sem limites, eventualmente transcendendo seu próprio universo para invadir Arton.
É possível reverter uma área de Tormenta?
Teoricamente sim: é preciso matar o Lorde que governa a área e destruir seu Coração antes que um novo Lorde assuma o controle. Na história do cenário, isso só foi conseguido uma única vez, recuperando apenas um território.
Quem é Aharadak?
É o Deus da Tormenta, uma entidade que o próprio Panteão de Arton foi forçado a reconhecer entre os vinte deuses depois que a corrupção da Tormenta atingiu até a pureza divina do cenário.
O que é matéria vermelha?
É a substância que compõe o corpo dos lefeu e cai como “chuva de sangue” sobre as áreas de Tormenta, corrompendo gradualmente tudo ao redor até transformar até a própria terra naquele material.
Conclusão
A Tormenta não é apenas o nome do jogo — é a ameaça que define os limites do que Arton consegue combater e o que precisa simplesmente aprender a conter. Entre a origem trágica dos lefeu e a regra quase impossível de Lorde e Coração, essa lore entrega aos mestres um vilão cósmico genuíno, com peso suficiente para justificar campanhas inteiras dedicadas a apenas uma fração dessa ameaça.
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Fontes oficiais: Tormenta 20 — Livro Básico, Edição Jogo do Ano (Jambô Editora); vídeo “Tormenta20 RPG: Tudo que você precisa saber”, canal Rotina de Mestre (apresentação: Caio Bonfalari).
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